Morou alguém aqui?
Amou?
Foi amado?
hoje fiz um parto às avessas pari uma mulher muito velha que se aninhou dentro de mim...
Inexorável mar
batendo nas pedras
nas pedras batendo...
Eterno vai e vem
vem e vai eterno...
É o mar
é o mar!
A máquina véia que custurou a calça de Antoio
A camisa da Belinha e a saia da Zulmira
A máquina véia que pedalou noite e dia
Para vestir a famiarada
Hoje empoleirada
Empoeirada nos guardados
As aranha fazendo festa
Casa de linha e labirinto.
- Minino, num entra aí não
Deixa em paz os trecos de Zabé
Os retaios de chitas e de tergal
Os ticidos, ticidos no tear
Os óios quase cego de Zabé
O camisolão cubrindo o corpo magro
As mãos calejadas dedilhando o terço
Uma vida e seu preço
Os óio quase cego
Oia e não vê os terens jogado no tempo
E se visse: meu Deus!
Ela havia lido tantas coisas...
(para Jujú, amiga inesquecível)
estrelas cintilantes
bússolas orientais
folhas de chá
mapas astrais
palmas das mãos
ruas transversais
plantas dos pés
verdades universais
bulas de remédios
visões paranormais.
Ela havia lido tantas coisas...
revistas de fotonovelas
obituário nos anais
placas de sinalização
processos criminais
revistas em quadrinhos
textos de jornais
literatura de cordel
bebido dos mananciais.
Ela havia lido tantas coisas...
desenhos nas cavernas
processos culturais
colagens fotográficas
figuras ocidentais
filigranas nos lençóis
temperaturas corporais
passos na areia
rastros de animais.
Ela havia lido tantas coisas...
trilhas no cerrado
imagens virtuais
búzios encantados
programas matinais
artefatos primitivos
estações siderais
crateras lunares
fossas abissais.
Ela que havia lido tantas coisas queria ler mais...
ler a própria alma
moléculas existenciais
tocar pela presença
marcas visuais
ler pela a ausência
redutos espirituais
visões sistêmicas
ideologias marginais.