sábado, 28 de julho de 2012

arte.digital@oliveira.nuance

 



Casa-úbere
seio materno
escuro útero
 eu no sótão!

Côa a semiclaridade
filtra luz cristalina.

Nos espirais do tempo
tenho todo o tempo
desfaço-me como os relógios Dali.

Casa que se liquefaz em sombras suaves da memória
que me traz os terreiros na tarde que se vai
que traz o celeiro repleto de jogos de luz e sombra
que traz na memória uma menina rota querendo ganhar atenção.

Era uma tarde, com certeza, o carteado ia longe.
o rolo da fumaça dos cigarros de palha e dos cachimbos
enovelando sombras sobre o tempo
 eu aqui presa nesse mundo de néon que me fere os olhos
que embaça as vistas
querendo casa de sombras
querendo me desfazer antevisão Daliniana.

quinta-feira, 19 de julho de 2012


Solidão

Sentir-se ínfimo grão
Nessa terra ressecada
Nesses olhos escancarados

O ventre vazio
A alma vagante
O sorriso morto

Sentir o prenúncio da tempestade
Nessa estrada sem volta
Nesse caminho perdido

O mapa na pele
Os olhos rotos
A boca escancarada

Sentir-se bússola avariada
Nesse lado de cá
Nesse rastro perdido

E teus olhos
Que não mais me guiam
Para lugar nenhum…


sábado, 3 de dezembro de 2011

Memórias


- Lembra-se dos Cantores de Ébano?

- Menina, isso é coisa prá gente das antigas!

- Das antigas, não sei! Mas, as memórias que trago da meninice ainda brilham nos meus olhos e me guiam vida afora.

Naquela época, o meu contato com o mundo era por meio do rádio que chegava a todas as brenhas e lugarejos da região. Lembro-me de Luiz Gonzaga, Jair Rodrigues, Cantores de Ébano, Marinês e Zé do Norte. Além disso, vez ou outra, o circo chegava para alegrar e havia, também, o João Redondo (fantoches) e o Reisado.

domingo, 9 de outubro de 2011



juntei todas as pedras amoladas

nos fios dos dias meus

fiz com elas

santuário de lembranças

depois soprei-as levemente

pelas ruas que andei.